
Campainha toca às três. Olho pelo olho mágico: terno puído, sorriso de dentes antigos.— Trouxe troco? — voz rouca, dedos tamborilam no vidro. Quero rir, mas frio percorre a espinha.— Banco tá fechado — aviso e giro a tranca. Sombra escorre por baixo da porta, cheiro de flores velhas invade o corredor.Fôlego curto, mãos apertam…

Apoiei as mãos na pia, encarei o espelho. Minha imagem bocejou antes de mim. Sobrancelhas erguidas, sussurrou:— Pronto para encarar tudo? Revirei os olhos.— Só queria escovar os dentes sem terapia gratuita. O reflexo sorriu, mas não era do sorriso.— Ignorar de novo? Virei as costas, respiração curta.Luz piscou.— Foge, campeão. Sou só teu lado…