Chave de fenda, luva de couro e a velha caixa de prata. Tampa range, coração dispara.
— Corajoso ou tolo? — Sussurra a voz áspera, vinda do fundo da caixa.
Faísca azul dança no ar, cheio de terra molhada invade o porão.
— Só vim buscar o que é meu — protesto com tremor na mão.
Silêncio pesado. A tampa fecha sozinha e quase prendo meus dedos.
Sombra se ergue, olhos brilham.
— Quem rouba herda dívida antiga.
Dou dois passos atrás e tropeço nas próprias certezas.
A voz ri e ecoa nas paredes:
— Agora somos dois, ladrão.
A casa nunca mais dormiu quieta.


Deixe um comentário