Rodei a campainha três vezes antes de desistir.

Placa dourada na porta: “Imortalidade — só para corajosos”.

A porta abriu. O sujeito de terno vinho piscou e cochichou:
— Pode entrar! Ou vai viver para sempre aí fora?

Ri, ajeitei minha mochila nos ombros.
— Vi gente sumir depois dessas promessas.

Ele apontou para a sombra atrás de si.
— “Gente” não volta porque não quer.

Olhei para dentro, escuridão densa, cheiro de incenso barato.

Dei dois passos para trás.
— Imortalidade? Prefiro bolo de cenoura. Nunca mais vi sujeito, nem a placa.


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