Choro Proibido

Choro Proibido

— Engole o choro, Lucas. Homem não chora.

Meu pai não piscava. O retrato da vovó tremia na parede, pendurado torto. O cheiro de café queimado enchia a cozinha, misturado com o silêncio.

Eu sentia o nó na garganta, cada vez mais grosso.
— Vai, engole! — ele repetiu, mais alto.

A xícara rachou na mão dele, café escorreu pelos dedos.
Olhei para o chão, respirei fundo, deixei o choro preso no peito.

No velório, só o cachorro chorou.
Meu pai me olhava.
O nó virou pedra.
Ninguém percebeu quando parei de falar.


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